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Câmara de Ariquemes arquiva denúncia contra Lano Matias por falta de provas concretas
Entenda por que prints de notícias não foram suficientes para abrir processo
Por Evanildo Santos
Publicado em 11/03/2026 17:19
Notícias
Foto: Divulgação

A Mesa Diretora da Câmara Municipal de Ariquemes decidiu, nesta semana, pelo arquivamento da representação por quebra de decoro parlamentar contra o vereador Lano Matias (Republicanos). A denúncia, que pedia a abertura de um processo político-administrativo visando a cassação do mandato do parlamentar, foi rejeitada sob o argumento de que o denunciante não apresentou elementos probatórios suficientes para sustentar a acusação, neste momento.

A representação havia sido protocolada por Ricardo Medeiros, suplente do vereador acusado, fundamentando-se em investigações da 1ª Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO 1). O caso está inserido no contexto da Operação Solo Corrompido, que apura um suposto esquema de corrupção envolvendo a aprovação de projetos de lei em Ariquemes.

O teor da denúncia

Segundo o documento apresentado à Casa de Leis, o vereador Lano Matias estaria sendo investigado por supostamente solicitar a quantia de R$ 80 mil para viabilizar a aprovação de um projeto de lei relacionado à construção do novo cemitério municipal de Ariquemes. Entre os elementos citados por Ricardo Medeiros para embasar o pedido estavam:

  • A existência de gravações de áudio que registrariam a suposta negociação;
  • O cumprimento de mandados de busca e apreensão realizados pela Polícia Civil, inclusive no gabinete do parlamentar;
  • A indicação de outros agentes públicos e particulares envolvidos na investigação.

Fundamentos do arquivamento

Ao analisar o pedido, a Mesa Diretora entendeu que a denúncia carecia de elementos concretos. O principal entrave apontado foi o fato de o inquérito criminal conduzido pela DRACO 1 estar sob sigilo de Justiça.

De acordo com a decisão, o denunciante anexou à representação apenas "prints" de matérias veiculadas pela imprensa local e regional, sem apresentar documentos oficiais ou provas diretas que pudessem ser validadas pela Comissão de Ética. Como o Legislativo não possui acesso aos autos sigilosos da Polícia Civil, a Mesa considerou temerário abrir um processo de cassação baseado exclusivamente em notícias jornalísticas.

Possibilidade de reabertura

O arquivamento, no entanto, não significa um encerramento definitivo da questão no âmbito político. A Câmara Municipal ressaltou que a decisão foi tomada com base no cenário atual de falta de acesso às provas.

Caso a Polícia Civil conclua o inquérito ou o Poder Judiciário retire o sigilo das investigações, permitindo que novos fatos e provas materiais venham a público, uma nova denúncia poderá ser apresentada e apreciada pela Mesa Diretora.

 

Por Redação

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